Felicidade: O que diz a Psicanálise sobre isto?


O que é ser feliz?

Seria realizar todos os desejos? Na psicanálise, segundo Freud, somos apresentados ao desejo no momento da amamentação, enquanto bebês.

Depois desta experiência, buscamos repeti-la durante a vida e com o tempo, a criança na sua fase edipiana, é apresentada pelos pais ao mundo e é onde vai aprender que não existe satisfação total. E que para haver esse desejo, é necessário que a criança tenha suportado a castração simbólica.

O que a psicanálise chama de gozo, seria a “felicidade total”, mas o que nos é possível é um prazer parcial. Esse gozo, quando insistente vem na forma de sofrimento, e causa angústia, e essa angústia é um sinal de que algo não está bem, e precisa ser entendido.

Em “Além do Princípio do Prazer”, Freud explica a busca dessa totalidade de felicidade, que seria “A pulsão de morte”, esse gozo, que não conseguimos atingir porque ele é inatingível e a pulsão de vida, que é o prazer, o desejo.

Tomar ciência da vida....de um momento único e individual... É sentir-se pleno e vivo...Nao adiante se esconder... Talvez você precise mesmo se achar...

Felicidade & Prazer

Na visão de Freud, a felicidade implica na realização do “Princípio do Prazer”, que domina o psiquismo humano desde o inicio da vida. Apesar do princípio da realidade, o objetivo de buscar o prazer nunca é abandonado. Os desejos aumentam a medida que o indivíduo se socializa, então estes passam a ser satisfeitos, ou serem reprimidos/recalcados, e a formar sintomas como angústias que podem levar à depressão.

Sob o domínio do princípio da realidade, a satisfação é adiada e o desprazer tolerado, gerando conflitos internos.

Os modelos de felicidade da mídia e da sociedade, às vezes levam o sujeito a se iludir de que precisa de tudo aquilo para ser feliz, mas pode descobrir que não é disso que se precisa, que a felicidade é uma outra questão, muito mais interna do que externa, e pode não ser aquilo que foi idealizado.

No processo analítico, a psicanálise surpreenderá o indivíduo de forma inovadora e reestruturante.

“Trata-se da região mais obscura e inacessível da mente....decidimos relacionar o prazer e o desprazer à quantidade de excitação presente na mente....” (Freud.1920)

Felicidade & Depressão

Temos depressão porque não somos felizes?

Podemos dizer que a expectativa de felicidade pode causar frustrações, angustias, mas pode também estar tampando o que ainda não se está preparado para enfrentar.

Cada um tem uma estrutura psíquica individual, e pode entrar em conflito interno, e não conseguir superar as tristezas e dificuldades que são inerentes à humanidade.

Esta vontade de viver, é a nossa pulsão de vida, ou seja, o desejo de viver, e a ausência dela é a pulsão de morte, a falta de desejo, e a entrega a um estado de desânimo e tristeza profunda, que se prolongado, pode levar a depressão.

Quando não se deseja, surgem as neuroses, onde se perde vitalidade, a vida não faz mais o mesmo sentido, sente-se infeliz.

Ainda tem quem renuncia aos desejos, que pode ser uma forma de gozo, uma forma passiva de viver. Que também é uma forma de sofrer.

Vivemos entre o desejo e o gozo. A angústia é um termômetro, que aponta o desequilíbrio entre essas sensações, e quando um lado predomina, pode-se estar deprimido.

A angustia é um sinal que algo vai mal, é um aperto no peito, palpitações, sudorese, dificuldade de respirar, etc. Mas é essa angústia que anuncia que algo precisa mudar, é a sensação de impotência que se sente diante do sofrimento.

A procura por prazeres como um vício, pode ser um dos sintomas de algo fora do controle.

A experiência da psicanálise mostra que tem pessoas que se sabotam, impedindo inclusive de serem felizes, e isto se repete em suas vidas sem que se tenha noção do que provoca tal resultado.

Por exemplo, sempre que algo de bom está para acontecer, se desiste antes, por não se achar merecedor de tal felicidade, que precisa sofrer, e não acredita que pode ser feliz, desistindo de mais uma tentativa.

Tristeza e desânimo....faz parte de um momento...Continuar triste e desanimado...já pode ser falta de desejo de viver...

Felicidade & Psicanálise

Em que momento a psicanálise tem a ver com a felicidade?

A psicanálise não promete a felicidade, pois sabemos que essa totalidade não existe, mas estimula o sujeito a ter acesso aos seus desejos inconscientes, mais profundos, e isto vai contribuir para se produzir os prazeres que podem e precisam ser vividos.

A psicanálise é o único tipo de terapia que faz o sujeito atravessar sua angústia, na escuta analítica, para depois passar a desejar.

No decorrer do processo analítico, o indivíduo se redescobre, na sua forma única de ser e de viver, numa condição de vida mais saudável e prazerosa, originada pelos seus desejos, entende que as frustrações necessárias e insatisfações são uma parte da vida, e compreende que a felicidade total não vai existir nunca, pois não é possível ao ser humano acessá-la.

Podemos dizer que a psicanálise vai contribuir para que o sujeito tome consciência de seu maior potencial de felicidade possível de ser vivido.

O que a análise propõe para o sujeito?

O processo terapêutico, acontece com o par analítico (o analista e o analisando, que é o sujeito), num setting psicanalítico, onde a medida que o tempo passa, as análises vão mostrando os conteúdos inconscientes, até então inacessíveis, e o sujeito identifica a causa, elabora os conflitos e interpreta, juntamente com as intervenções de seu analista, os gatilhos que desencadeiam seu jeito de enfrentar o mundo.

Na análise pessoal, ele pode entender que o ideal de felicidade pretendido até então, não pertence a ele, que talvez tenha sido interpretado assim, e este processo pode ser uma grande transformação em todos os sentidos.

As angústias só são aliviadas quando o desejo acontece, este é o remédio que combate a angústia. E só a psicanálise trata o angustiado, o sujeito sofrido, que no processo da análise, passa a se responsabilizar pelo seu funcionamento, entende seus sintomas e se desidentifica com o que lhe fazia adoecer, e se reconstrói numa nova forma de ser. É quando vem à tona, a vontade de viver, de produzir e amar.

Se inicia um tratamento que pode aliviar um sofrimento grande de uma vida, parcialmente ou até completamente.

Tem quem diga que não faz análise porque não quer sofrer...?

Mas o sujeito vai sofrer de todo jeito, o sofrimento é inerente ao ser humano. Fazer análise pode fazer ele sofrer por um período, dependendo das causas de suas angustias, de seus conflitos, ou até nem vai sofrer tanto assim.

Depois ele compreende como as situações acontecem e como podem ser evitadas, para não se repetir e causar novamente mais sofrimento. Digamos que é melhor sofrer sabendo o porquê, do que adoecer sofrendo sem saber a causa...o que acontece com quem não procura ajuda para tratar seu sofrimento psíquico.

Inicia então uma nova forma de se ver diante da vida e das situações vividas, é uma reconstrução total do olhar para sí e para o mundo. É um reaprender a lidar com seu EU, com sua história, um reinício de forma única e com muito mais responsabilidade, consciência e felicidade. É quando se toma posse de si mesmo!

Felicidade.... Descobrir que existe tanta coisa sobre nós.... Que não sabíamos existir....

E você deseja ser feliz?

- Texto de Sofia David: Psicanalista e Hipnoterapeuta.

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