O Romancista da Psicanálise - Entenda a importância das obras Freudianas

20 Feb 2018

 

 

Para os que tiveram a oportunidade de estudar ou mesmo apenas ler a obra freudiana, através da qual ele constrói todo o arcabouço científico da psicanálise, ao propor a ela o método da livre associação para identificar e tratar neuroses, talvez se espantem com a incrível capacidade romancista e novelística de Sigmund Freud. Excepcionalmente hábil com as palavras, grande conhecedor de literatura, especialmente a clássica, é possível perceber que toda sua obra é construída e permeada pelos filósofos de seu tempo e antepassados.

 

Freud transforma-se, no bom sentido, em marqueteiro dele mesmo. E não poderia ser diferente. Uma obra vigorosa como a dele que atravessa séculos, contestada, renovada, revista, mas firme como pilar de uma teoria, quase imutável, precisava ser divulgada.  Jung, Lacan e tantos outros reinventaram a psicanálise, mas a partir de seus escritos e descobertas.

 

As biografias afirmam que Freud fez medicina por influência do pai e que desde muito cedo dedicara-se à leitura dos textos clássicos. Teria mesmo estudado línguas eruditas para melhor entender estas obras, às quais tomaria emprestado os mitos ancestrais. Foi desta forma que elabora um dos pilares da psicanálise. Em Totem e Tabu, por exemplo, ergue toda uma teoria acerca do incesto, tão frequentemente presente na fantasia causadora de inúmeras neuroses humanas.

 

Com forte formação humanística, trata ao longo de toda a sua obra, sobre os mitos, as lendas, os contos populares e o folclore. Em cima disso vai tecendo a teoria psicanalítica, ou melhor, como grande escritor que é vai adaptando as obras literárias à sua própria obra. Mas não é só isso. Quando ele descreve os casos das histéricas, algumas famosas como Anna O., entre outros casos, ele faz literatura das boas. A paciente se transforma em verdadeira personagem de um romance. Descreve com detalhes, de maneira elegante e suave, para ser entendida por qualquer pessoa que a lê, a história de uma paciente, cujos sintomas eram de histeria.

 

E é justamente ao tratar das histéricas que ele descobre que a hipnose não estava funcionando com aquelas pacientes. Resolve tentar outra coisa e “inventa” o método da livre associação. É a própria paciente que dá a ele o mote da livre associação ao propor que ela parecia uma chaminé que precisa jogar tudo para fora. Freud percebe que precisava criar mecanismo para acessar o inconsciente. Começa a aplicar e desenvolver a teoria da Interpretação dos Sonhos, outro pilar de sua grande obra.

 

 

 

É interessante notar que Freud trabalha além de filósofos de crucial importância para a composição de sua obra, escritores e artistas plásticos. Nietzsche, por exemplo, é filósofo em cuja obra já estava bastante presente o inconsciente; Em Schopenhauer, também filósofo em cuja obra o inconsciente também está presente; Schiller filósofo e poeta; Goethe dramaturgo, criador de Fausto; Dostoievski, escritor russo a quem toma emprestado o mito do parricídio, Shakespeare, autor de peças teatrais das mais conhecidas, Sofocles, teatrólogo clássico cuja obra lhe dá o mito de Édipo.

 

Cito apenas algumas referências para quem desejar se aprofundar nessa viagem literária que é a obra freudiana. No volume 17 de Obras Completas é possível encontrar Dostoievski e o Parricídio; Já no volume 11, o leitor encontrará O Moisés de Michelangelo, aonde Freud disseca a escultura deste escultor como se estivesse dialogando com ele presentemente no divã. É um formato muito interessante. No volume 6 é possível encontrar o texto Personagens Psicopáticos no Teatro e no volume 8, o leitor poderá ler texto onde Freud aborda o Escritor e a fantasia.

 

Também no volume 15 é possível acompanhar o relato de Uma Neurose do século XVII envolvendo o Demônio. Pode se deliciar ainda com o volume 9 ao ler Uma recordação de Infância de Leonardo da Vinci, o criador da Monalisa, aonde Freud literalmente deita no divã este grande personagem das artes plásticas e não apenas delas. Da Vinci era muito bom em várias áreas. Ainda no volume 7 Freud trata do Chiste e suas Relação com o Inconsciente, tomando por base muitos casos de humoristas e peças teatrais. Deixo ainda como referência um artigo muito interessante, publicado em revista de psicanálise “O Lugar da Literatura na Constituição da Clínica Psicanalítica em Freud”, de Leonia Cavalcante Teixeira.

 

Este e alguns outros podem ser encontrados pela internet em sites especializados em publicações de artigos e teses acerca da psicanálise, todos com grande aceitação entre os profissionais da área pela seriedade das pesquisas e textos publicados. Boa leitura.

 

FÁTIMA BELTRÃO - RESENHA SOBRE A PRESENÇA DA LITERATURA NA OBRA FREUDIANA.

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