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Além do tabu: o desafio do Manejo da Sexualidade na prática clínica

  • 14 de abr.
  • 2 min de leitura

A sexualidade é um dos pilares da constituição do sujeito. Desde os primórdios da psicanálise com Freud, sabemos que ela não se restringe ao ato biológico, mas permeia os desejos, as angústias, as identificações e as formas como nos relacionamos com o mundo.


No entanto, mesmo sendo um tema central, muitos profissionais ainda sentem o peso do tabu ou a falta de ferramentas técnicas na hora de manejar essas questões no consultório.


Por que o manejo da sexualidade é tão complexo?


Diferente de outros temas, a sexualidade evoca no terapeuta suas próprias convicções, valores e, por vezes, seus próprios silêncios.


Quando um paciente traz queixas sobre disfunções, novos arranjos amorosos, questões de identidade ou fetiches, o profissional precisa estar preparado para ir além do julgamento moral ou do senso comum.


Manejar a sexualidade na clínica exige:


  1. Escuta Qualificada: Perceber o que está nas entrelinhas do sintoma sexual. Muitas vezes, uma queixa de "falta de desejo" é a ponta de um iceberg de questões relacionais e subjetivas muito mais profundas.


  2. Atualização Constante: O conceito de sexualidade na contemporaneidade é fluido. Compreender as novas configurações familiares, as identidades de gênero e a libido na era digital é fundamental para um acolhimento ético.


  3. Diferenciação entre Teoria e Técnica: Conhecer a teoria freudiana é o primeiro passo, mas saber aplicá-la no setting terapêutico, manejando a transferência e a contratransferência em temas sexuais, é o que define o sucesso do tratamento.


O Papel do Pisicanalista


Seja no atendimento individual, de casais ou de famílias, o papel do psicanalista não é "dar conselhos sexuais", mas sim auxiliar o sujeito a se haver com sua própria pulsão e com as amarras que o impedem de viver sua sexualidade de forma plena e singular.


Sem um preparo adequado, o profissional corre o risco de cair na "neutralidade silenciosa" que não ajuda, ou em intervenções diretivas que desrespeitam o tempo do paciente.


O manejo clínico é, acima de tudo, uma arte de saber quando intervir e como sustentar o mal-estar que a sexualidade pode provocar.


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